Bibliografias Falsas (Sobre Plágios De Alunos)
Bibliografias
Falsas
Nestes
tempos estranhos, de muita internet e pouco estudo, regularmente
encontro plágios nos trabalhos dos meus alunos. São poucos, é
fato. A maioria dos alunos é gente honesta e esforçada e faz seus
trabalhos da melhor forma possível. O bem geralmente é calado, ao
passo que o mal é estridente. Estão aí as redes sociais que não
me deixam mentir.
Enfim,
é chatíssimo encontrar plágio. As desculpas são sempre
esfarrapadas, indo do patético ao pusilânime. Há os que alegam
ignorância, ainda que estejam no terceiro ou quarto ano de faculdade
e já tenham feito dezenas de textos para vários docentes. De cara
lavada, alegam que ignoravam a necessidade de colocar aspas nos
trechos copiados. Sério? No outro extremo, há aqueles que são o
estereótipo do “levar vantagem em tudo” e chegam a copiar a lei
de plágio brasileira no recurso da nota. Tudo para demonstrar que
não tiveram “lucro” com o fato e, portanto, não podem ser
punidos. Este último argumento revela o caráter do recorrente e seu
desconhecimento da língua pátria, pois lucro não é algo apenas
monetário. Finalmente, há as justificativas “se colar, colou”:
o plágio estava no apêndice, que por definição seriam textos de
outros autores. Ok, mas é preciso nominar os tais “outros autores”
e, claro, indicar a fonte do texto. Ah, mas você não disse...
Assim,
como forma de tornar menos infame o crime, sugiro que as
bibliografias dos plágios sejam divertidas. Para ajudar, elaborei
uma lista de textos falsos que poderão ser usados pelos alunos
desonestos e indolentes (em termos brasileiramente modernos:
flexibilizadores da ética). Estão ali embaixo. O plágio continuará
crime e motivo de reprovação automática na disciplina. Porém,
será menos irritante.
E
para aqueles que me perguntarem: mas por que está tudo em inglês,
eu já respondo: porque a Universidade está “em processo de
internacionalização”. O ideal é que todos escrevamos e
publiquemos em inglês, a língua franca da ciência. Se possível,
que os textos sejam encaminhados aos supostos melhores periódicos
(revistas científicas, mas para ficar mais intelectual usamos
“periódicos” ou ainda, em nome da internacionalização,
“journals”). Geralmente, tratam-se de revistas “fechadas”.
Quer dizer, não são abertas ao público. Adoro essas ironias:
recebemos salários do Estado, verba pública para pesquisa e
publicamos em língua estrangeira em sites pagos. E ai do
contribuinte que reclamar: logo será tachado de contra a ciência,
reacionário e outros quejandos. Pague e não reclame, por favor (Eu
tenho a teoria de que publicamos em inglês para disfarçar que a
maioria dos trabalhos é inútil e ou medíocre mesmo. Publicidade é
a alma do negócio, dizem. Mas o sigilo é a sobrevivência dos
medíocres).
BOURNE,
Jason (2012): Safety First: how to survive in a turbulent ambient.
(4th Ed.; 1st. Ed: 2002). Langley: Not So Secret Books.
CORLEONE,
Vito (1943): Courtesy Leadership: making the impossible happens. New
York: Olive Oil Editors.
KENT,
Clark (1973): Be A Supermanager. Gotham: Planet Books.
LOVELL,
J.; NOLAND, C.; NAVORSKI, V.; PHILLIPS, C.P. & SULLY, C.: (2016):
Handbook of Survival. Concord: T&H Editors (5th Ed.; 1st. Ed:
1995).
RUBBLE,
Barney (2000): The Stone Aged Marketing. Bedrock: Cuneiform Business,
2nd Ed.
RYAN,
P. (1999): Life is Precious: your work is not that important.
Concord: T&H Editors.
SACHS,
Andrea (2006): Fashion Is My Mistress: Inside the most loved-hated
industry. New York: Ellingtonian Arts LLP.
WAYNE,
Bruce (1971): Serving Justice. Gotham: Bat Books.
Se
o leitor tiver alguma sugestão, sinta-se à vontade para enviá-la a
omarqueteiromarxista@gmail.com.
Darei os devidos créditos, naturalmente. Ou manterei o sigilo, se
requerido.
São
Paulo, 01 de outubro de 2018.
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